Sáb, 28 de Janeiro de 2012 09:51
- A CLASSE C, a nova classe média brasileira, não pode ficar à mercê dos meios de comunicação, declarou o ministro Gilberto Carvalho, secretário-geral da presidência da República, no Fórum Social Temático, em Porto Alegre. Ele quer que o governo "radicalize a democracia", investindo em comunicação de massa, mas "sem autoritarismo".
- Deixa ver se entendi: o governo investiu para criar uma classe média e tem medo que ela comece a ler jornais e comece a acreditar nos jornais; disso resultam duas coisas, primeiro, o governo não tem controle dessa classe média, segundo, os jornais mentem sistematicamente.
- Logo, o governo precisa radicalizar criando um contraponto à mídia, ou seja, fazendo sua própria mídia, seja na Empresa Brasileira de Comunicação, que gasta dinheiro e não funciona, seja em propaganda - na mídia que o governo acusa de mentir.
- O ministro quer "radicalizar sem autoritarismo". Vai contra a História. Não há como radicalizar sem autoritarismo. O ministro nada disse sobre o conteúdo daquilo que a mídia tem denunciado e que ele teme chegue aos ouvidos da classe c: a corrupção no governo federal.
- Também não nega a existência de corrupção. Portanto, o que o ministro e o governo não querem é muito simples: que não haja denúncias, pois essas tiram o apoio da classe c ao governo, pois o governo se acha dono da classe c.
- Num país com reflexão e crítica as palavras do ministro seriam lidas com intensa preocupação. Revelam que o governo não se interessa pelas classes a e b, que sabem pensar, estariam perdidas para a mídia, imunes à propaganda do governo.
- Mais: o governo não quer governar para essas classes, embora elas desfrutem da cidadania e contribuam com mais tributos para a manutenção do governo - e dos programas para a classe c. Em outras palavras, o governo quer a classe c como anteparo à mídia e às classes a e b.
- O ministro faz ideologia de esquerda ao buscar uma classe para sustentar o esquema de poder contra outras classes. Isso já aconteceu na História. No início chamava-se bolchevismo. O ministro é católico, não é marxista. Mas seu discurso é marxista na essência.
- A crítica à mídia teve seu momento cômico quando Tarso Genro, governador gaúcho, saca o seu melhor: a mídia quer "despolitizar e despartidizar a democracia", ou seja, substituir os políticos e os partidos. Barbaridade!, como dizem no Rio Grande do Sul.
Última atualização em Qui, 09 de Fevereiro de 2012 11:53