Qua, 15 de Fevereiro de 2012 14:17
- O PREFEITO LUCIANO DUCCI finalmente falou sobre a greve do transporte coletivo. Foi hoje à tarde, para a rádio CBN. O ponto principal: "a greve é política", assim, nada mais, sem qualificativo, adjetivo ou advérbio. Podia dizer "de política partidária ou de motivação eleitoral", mas não, o máximo que se permitiu complementar veio na tímida afirmação que era agitação de uns poucos. A greve sempre é política, ainda que não tenha motivações eleitorais, como o PT querendo desestabilizar sua campanha, como Ducci parece ter querido dar a entender.
- A greve é o mais expressivo e intenso movimento político da classe trabalhadora, pois visa a melhoria das condições de trabalho. Se o momento escolhido é o da campanha eleitoral, melhor ainda, pois nele há riscos para quem está no poder e gordura para queimar quando se trata de concessionárias de serviço público. As greves de agora - todas elas, das polícias aos trabalhadores nos estádios de futebol - têm um ingrediente que começa a aparecer: a fatura do ufanismo lulista e do esbanjamento dos políticos.
- Os trabalhadores, públicos e privados, percebem que há dinheiro para as obras da Copa, que enriquecerão empreiteiros com superfaturamentos, políticos com comissões e burocratas com propinas; que os contratos com ongs, o nepotismo, o dinheiro que se paga a título de indenização a juízes, vêm de fonte aparentemente inesgotáveis - e se não inesgotáveis, que um pouco verta para os que ganham pouco e se arriscam muito. Há um rastilho reivindicatório que não há mais como conter.