ROGERIO DISTEFANO - MAXBLOG

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CONDENADO PELA OBRA

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  • A JUSTIÇA FEDERAL condenou o ex-governador Roberto Requião a ressarcir o Tesouro por ter usado a rádio e a televisão públicas para sua promoção pessoal. Perdoem não dizer que a rádio e a televisão eram educativas, como vinha no nome oficial, porque as falas do ex-governador transmitidas pelos dois órgãos eram tudo menos educativas. Mas daí a condenar o governador por ato contrário à Constituição, de fazer promoção pessoal às custas de órgãos públicos, o tema merece ponderação.
  • Está certo, a letra fria da Constituição proíbe o uso da máquina pública para promover o governante. Mas se a juíza que deu a sentença examinasse as transmissões não condenaria o ex-governador. Eu assisti a um terço de duas sessões da escola de governo, que era transmitida pela rádio e pela televisão estatais. Ninguém passava a gostar de Requião depois de assistir ou ouvir sua promoção, muito ao contrário. Portanto, não havia promoção pessoal, também muito ao contrário.
  • Mais: só ouvia a rádio e assistia a televisão quem precisava fingir que tinha ido à escola de governo. Caso exemplar era o de um primo-irmão do governador, que ganhou dele uma diretoria de estatal, e assistia a televisão em sua sala na estatal. Nem o parentesco, nem a prebenda, motivavam o cidadão a ir à escola de governo. Fora do governo, onde não funcionava a promoção do governador, raríssimos assistiam a televisão do Estado, que recebia zero de audiência no Ibope. A rádio do Estado era pouco ouvida, porque o governador mandou mudar a programação para o seu gosto - e só quem conhece Requião sabe que ele não tem gosto nenhum.
  • Portanto não havia promoção, e se havia não provocava o resultado que a Constituição quis impedir. Tem outro ponto que a sentença poderia observar: Requião fez economia em promoção pessoal. Ele não gastava dinheiro com os grupos de comunicação, pois estava brigado com todos. Gastava com revistas e jornais que ninguém lia e que cobravam pouco em relação ao que os governos anteriores gastavam com os grandes jornais e televisões. Porém não adianta discordar da sentença, ainda que estivesse errada. Porque mesmo que estivesse errada ela sempre estaria certa em se tratando de Roberto Requião - pois nele, até quando inocente, pesa o conjunto da obra.