ROGERIO DISTEFANO - MAXBLOG

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RIMA POBRE E CARDÁPIO RICO

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  • FERIADÃO, cidade vazia, a busca onde comer, pois a maioria dos restaurantes fecha. Nos que abrem, muito cuidado. Poucas mesas ocupadas, vá embora; a comida leva tempo para vir e nem sempre - ia dizer 'de raro', mas me soou lusitano - é gostosa, pois o cozinheiro cumpre castigo. Naqueles que estão com razoável frequência os cuidados são outros. Por exemplo, confira o cardápio. Cardápio longo significa que boa parte dos pratos estão congelados, normalmente os mais requintados. Comida degelada não tem gosto. E também é demorada.
  • Lembre-se que você está em Curitiba.  Não, não sejamos injustos, você está no Brasil. Aqui a imensa maioria dos restaurantes ajusta-se ao paladar brasileiro, rigoroso em duas coisas: 1) dá-se preferência aos pratos conhecidos, ou seja, entre o espaguete à bolonhesa e o penne com salmão, opta-se pelo primeiro, ainda que o segundo seja coisa trivial; 2) o tempero e o sabor de qualquer prato de origem estrangeira têm que evocar a cozinha brasileira. Que o digam os restaurantes chineses. Portanto, se você quer comida estrangeira, coma no estrangeiro.
  • Sem nada a ver com comida, mais a ver com comportamento no restaurante, tem o fenômeno que chamo de propinquidade - proximidade em português antigo. A propinquidade significa o seguinte: restaurante quase vazio, poucas mesas ocupadas, as pessoas chegam e procuram sentar-se próximo às mesas já ocupadas. Para quê? Solidão, insegurança ou facilidade com o garçom? O máximo a que cheguei na antropologia de restaurante foi esta rima pobre. Convido os leitores a me elucidarem o fenômeno. 
Última atualização em Ter, 21 de Fevereiro de 2012 08:02  

Comentários 

 
0 #1 Silvio Conde 20-02-2012 21:32
Rogério, pelo menos aqui em Maceió, onde se pega numa arma por qualquer motivo, ficar muito próximo de outras pessoas, mesmo que em restaurantes, é uma temeridade! Bom descanso nesta "abandonada" Curitiba.
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