Seg, 20 de Fevereiro de 2012 12:47
- FERIADÃO, cidade vazia, a busca onde comer, pois a maioria dos restaurantes fecha. Nos que abrem, muito cuidado. Poucas mesas ocupadas, vá embora; a comida leva tempo para vir e nem sempre - ia dizer 'de raro', mas me soou lusitano - é gostosa, pois o cozinheiro cumpre castigo. Naqueles que estão com razoável frequência os cuidados são outros. Por exemplo, confira o cardápio. Cardápio longo significa que boa parte dos pratos estão congelados, normalmente os mais requintados. Comida degelada não tem gosto. E também é demorada.
- Lembre-se que você está em Curitiba. Não, não sejamos injustos, você está no Brasil. Aqui a imensa maioria dos restaurantes ajusta-se ao paladar brasileiro, rigoroso em duas coisas: 1) dá-se preferência aos pratos conhecidos, ou seja, entre o espaguete à bolonhesa e o penne com salmão, opta-se pelo primeiro, ainda que o segundo seja coisa trivial; 2) o tempero e o sabor de qualquer prato de origem estrangeira têm que evocar a cozinha brasileira. Que o digam os restaurantes chineses. Portanto, se você quer comida estrangeira, coma no estrangeiro.
- Sem nada a ver com comida, mais a ver com comportamento no restaurante, tem o fenômeno que chamo de propinquidade - proximidade em português antigo. A propinquidade significa o seguinte: restaurante quase vazio, poucas mesas ocupadas, as pessoas chegam e procuram sentar-se próximo às mesas já ocupadas. Para quê? Solidão, insegurança ou facilidade com o garçom? O máximo a que cheguei na antropologia de restaurante foi esta rima pobre. Convido os leitores a me elucidarem o fenômeno.
Última atualização em Ter, 21 de Fevereiro de 2012 08:02
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